terça-feira, 12 de janeiro de 2010

~ Soneto 105 ~

Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
"Beleza, Bem, Verdade", eis o que exprimo;
"Beleza, Bem, Verdade", todo o sentimento;
E em tal mudança está tudo o que estimo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
"Beleza, Bem, Verdade" apenas, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
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William Shakespeare

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

~ Soneto 17 ~

És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
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William Shakespeare

Poemas Inconjuntos

Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia, não há árvores, há idéias apenas.
Há só cada um de nós como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo mundo lá fora.
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
*
Fernando Pessoa

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Minha mensagem fraterna...


Desejo um lindo Natal e muita prosperidade em 2010,para todos os leitores e seguidores do Meu Mundo Poético.

Muito obrigada pela companhia amiga!!!!!!
Gabriela

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

William Shakespeare

*
Faz teu pior pra mim te afastares,
Enquanto eu viva tu és sempre meu,
Não há mais vida se tu não ficares,
Pois ela vive desse amor que é teu.
Por que hei de temer grande traição
Se tem fim minha vida com a menor;
De vida abençoada eu sou, então,
Por não estar preso ao teu cruel humor.
Tua mente inconstante não me afeta,
Minha vida é ligada à tua sorte;
Como é feliz o fato que decreta
Que sou feliz no amor, feliz na morte!
Porém que graça escapa de temer?
Podes ser falso e eu sequer saber.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ferreira Gullar - NÃO HÁ VAGAS


O preço do feijão
não cabe no poema.
O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carnedo açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uma cidade inventada

A esperança por um Sol brilhante
Descobri que o querer é folha sem vida
Na alma de um ser inconstante
Esta terra rubra e fecunda
Acolhe a vontade do semeador
Esconde a semente em seu seio
Explode o verde no maneio, no calor
Cresci com o aroma da terra
Com gotas de água fresca fui baptizado
Com as mesmas vi ungir uma alma na partida
Ouvi os sinos selarem o abençoado
Mas este Mar sempre tão presente
Esta espuma de sal feito diadema
Este imenso azul que rodeia a ilha
É cativeiro de um corpo numa perversa cena
De um coração que bate
Ao sabor da chegada de distantes vagas
De uma sina gerada na nostalgia
Vestida com manto de frias mágoas
Frias pedras, negro basalto
Sentinelas do receio à tempestade
Testemunhas da viagem do tempo
Cobertas de sal, guardiãs da verdade
Mas, não há duas reais verdades
Não há rios que correm para o alto
Não há amor num coração que mente
Não há ternura sem viver o momento
Hoje deu-me para isto
Nas divagações perdi o rumo
Hoje voei na contradição
Poisei com o Sol dançando a prumo
Soltei as asas feitas de bruma
Tenho presente a companhia de um milhafre
No rodopio de um melro negro
Selei as desventuras num singelo cofre
Que ao abrir soltou a contradição
Qual caixa de Pandora de sorridentes males
Toquei no teu retrato desbotado a duas cores
Pedi aos deuses para que me fales
Para dizer o quê?
A esta alma por Deus maltratada
Hoje procurei domar a emoção
Hoje procurei por ti…
Numa Cidade Inventada…
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Poeta:O profeta